
Um dos momentos mais esperados da semana de alta-costura aconteceu na quarta-feira, 9 de julho: o desfile da Maison Margiela. Marcando a estreia do designer belga Glenn Martens, o desfile mesclou diferentes materialidades, conceito e um olhar inovador para a maison, já tradicionalmente conhecida por sua teatralidade e personalidade ousada.


Iniciando seu novo legado na Margiela, Glenn Martens busca inspiração no passado para resgatar o espírito do fundador da Maison em sua nova coleção Artisanal Haute Couture. Elementos e códigos marcantes desde a primeira apresentação da Maison, em 1989 — como as máscaras e a experimentação com materiais fora do convencional, que ajudaram a construir a identidade intransigente e vanguardista da marca — foram explorados pelo designer em um espetáculo de criatividade e dramaticidade contida.


Suas homenagens vão desde a escolha do local do desfile e o cenário todo feito de papel machê — material amplamente explorado por Margiela em suas criações — até as próprias roupas e suas construções, como o uso do plástico nos looks que abrem o desfile e as modelagens que parecem ter sido concebidas para remontar um cenário fantasioso, mas ao mesmo tempo carregado de simbolismos. Aplicações em 3D, vestidos fantasmagóricos que recobrem totalmente o corpo das modelos com caimentos superfluidos, vestidos “casulo” que transformam a silhueta em uma imagem quase surreal, trabalhos de superfície em patchwork e referências que misturam o barroco e o gótico colocam a coleção de Glenn Martens como uma surpresa positiva, costurando um novo futuro para a maison sem deixar para trás a trajetória que marcou sua história na moda.








Bebendo de diversas referências, Glenn Martens nos presenteia com uma boa surpresa — principalmente para aqueles que estavam tão ansiosos com a sua chegada desde que foi nomeado diretor-criativo da maison, no ano passado. Apesar do saudosismo em relação ao trabalho de John Galliano ainda ser forte, não podemos negar que o estilista conseguiu reconstruir a imagem da Margiela com muito respeito e talento. Pode até não ser 100% Margiela, mas, ao mesmo tempo, a identidade e a personalidade excêntrica continuam marcando com louvor essa coleção de estreia, que nos deixa com um gostinho de quero mais. O que vocês acham?
Beijos, Lalá.
