A EXCENTRICIDADE POUSA EM SHANGHAI- CONHEÇA A NOVA COLEÇÃO DA MAISON MARGIELA!

Tudo que gira em torno do nome Margiela parece um pouco místico e provocador. Se a maison se transformou nas mãos de Galliano em seu tempo de direção criativa, agora, com Glenn Martens, essa estética tão única da etiqueta parece evoluir e ganhar, literalmente, novos ares. Sem nunca ter apresentado uma coleção fora de Paris desde que foi criada, em 1988, a Maison Margiela parece quebrar essa tradição e leva seu desfile, que mistura as coleções Artisanal e Prêt-à-Porter, para Xangai.

Em um cenário urbano cheio de contêineres, o desfile faz referência à manualidade tão famosa da marca. Mesmo que a escolha do destino e do cenário mostre o lado mais comercial da moda e das produções em massa, que andam junto ao mercado chinês, o desfile da maison reforça o valor da tradição artesanal, do processo criativo e da estética da imperfeição no vestuário, trabalhando com roupas amassadas e corroídas.

Inspirada no conceito de mercado de pulgas, a coleção busca explorar a ideia de reaproveitamento e ressignificação de objetos, conceito que já era tradicionalmente explorado pela maison, mas que, nesta coleção, aparece principalmente nas modelagens e nas técnicas de criação de superfícies têxteis. Mangas bufantes, vestidos de renda e golas altas remontam às peças do século XIX; alfaiatarias ganham novas camadas, e peças são criadas com materialidades não usuais, como porcelana e aço, além de um vestido produzido com uma mistura de folhas de ouro e antiguidades garimpadas, que foram misturadas com látex e borracha, transformando peças vintage em roupas.

A nova coleção da Margiela reflete o desejo atual dos consumidores de se aproximar do humano, principalmente em tempos tão marcados pelo uso da tecnologia e da inteligência artificial. O conceito não deixa o olhar comercial de lado, mas aproxima a marca do mercado, principalmente por meio das várias ativações que acontecem ao longo do mês, trazendo exposições que contam a trajetória da marca e suas criações mais icônicas em diversas cidades do país.

Beijos, Lalá.

A TEATRALIDADE EXCÊNTRICA TOMA CONTA DA PASSARELA FRANCESA- A ESTREIA DE GLENN MARTENS NA MAISON MARGIELA

Um dos momentos mais esperados da semana de alta-costura aconteceu na quarta-feira, 9 de julho: o desfile da Maison Margiela. Marcando a estreia do designer belga Glenn Martens, o desfile mesclou diferentes materialidades, conceito e um olhar inovador para a maison, já tradicionalmente conhecida por sua teatralidade e personalidade ousada.

Iniciando seu novo legado na Margiela, Glenn Martens busca inspiração no passado para resgatar o espírito do fundador da Maison em sua nova coleção Artisanal Haute Couture. Elementos e códigos marcantes desde a primeira apresentação da Maison, em 1989 — como as máscaras e a experimentação com materiais fora do convencional, que ajudaram a construir a identidade intransigente e vanguardista da marca — foram explorados pelo designer em um espetáculo de criatividade e dramaticidade contida. 

Suas homenagens vão desde a escolha do local do desfile e o cenário todo feito de papel machê — material amplamente explorado por Margiela em suas criações — até as próprias roupas e suas construções, como o uso do plástico nos looks que abrem o desfile e as modelagens que parecem ter sido concebidas para remontar um cenário fantasioso, mas ao mesmo tempo carregado de simbolismos. Aplicações em 3D, vestidos fantasmagóricos que recobrem totalmente o corpo das modelos com caimentos superfluidos, vestidos “casulo” que transformam a silhueta em uma imagem quase surreal, trabalhos de superfície em patchwork e referências que misturam o barroco e o gótico colocam a coleção de Glenn Martens como uma surpresa positiva, costurando um novo futuro para a maison sem deixar para trás a trajetória que marcou sua história na moda.

Bebendo de diversas referências, Glenn Martens nos presenteia com uma boa surpresa — principalmente para aqueles que estavam tão ansiosos com a sua chegada desde que foi nomeado diretor-criativo da maison, no ano passado. Apesar do saudosismo em relação ao trabalho de John Galliano ainda ser forte, não podemos negar que o estilista conseguiu reconstruir a imagem da Margiela com muito respeito e talento. Pode até não ser 100% Margiela, mas, ao mesmo tempo, a identidade e a personalidade excêntrica continuam marcando com louvor essa coleção de estreia, que nos deixa com um gostinho de quero mais. O que vocês acham?

Beijos, Lalá.