ALTA-COSTURA INVERNO 26/27-  O ENCANTAMENTO SURREALISTA NA COLEÇÃO DA SCHIAPARELLI

A semana de alta-costura começou oficialmente na segunda-feira, dia 6 de julho. Contando com marcas como Dior, Iris Van Herpen e Rahul Mishra logo no primeiro dia, a etiqueta que mais uma vez chama a atenção é a maison Schiaparelli, que marca a abertura de mais uma temporada com seus códigos surrealistas e mergulha na beleza do improvável para dar vida a mais uma coleção de tirar o fôlego.

Em uma coleção que recebe o nome de “O Abismo”, Daniel Roseberry, diretor criativo da maison, explora um olhar ainda mais fantasioso para a etiqueta. A atmosfera fica marcada entre a agonia e o êxtase, e a frase l’appel du vide (“o chamado do vazio”) vira o ponto de partida para uma coleção que estreia novas materialidades dentro da linguagem da marca, enquanto a dramaticidade é marcada pela experimentação.

Nessa coleção, o tom sexy e as silhuetas bem marcadas continuam como alguns dos códigos mais conhecidos da maison. Entretanto, desta vez, as peças de látex e silicone chamam a atenção ao ganharem novos detalhes, cores e até mesmo uma iluminação integrada. Os vestidos arquitetônicos e dramáticos recebem bordados florais feitos à mão com pétalas reais. As franjas e o movimento continuam como parte integrante da mente criativa de Roseberry, mas, desta vez, surgem com uma nova proposta e técnicas que levam o surrealismo a um novo patamar.

A semana da alta-costura, diferente do prêt-à-porter, recebe um privilégio que parece ser cada vez mais raro: o tempo, do qual Daniel Roseberry faz bom uso por meio de testes de materialidades, tecnologias e de uma preocupação com o fazer artesanal, que nos faz sentir um pouco dessa magia da moda que, às vezes, parece estar escondida, mas que se revela nas grandes coleções. Qual é a próxima marca que vocês estão ansiosas para ver?

Beijos,
Lalá.

SEDUÇÃO GELADA- DETALHES DO DESFILE DA SCHIAPARELLI NA SEMANA DE ALTA-COSTURA 25/26

Nesta segunda-feira, 7 de julho, a temporada de alta-costura outono/inverno retorna com força total, trazendo as novas tendências que devem dominar os próximos meses mais frios. Com um calendário repleto de novidades — como a estreia de Glenn Martens na Maison Margiela e a despedida de Demna Gvasalia da Balenciaga —, o evento se inicia com mais um desfile de tirar o fôlego, assinado por Daniel Roseberry para a Schiaparelli, marcado por um tom sóbrio, frio, mas extremamente sedutor.

Inspirado por uma visão futurista, Roseberry olha para o passado em busca de referência para suas criações atuais. Os elementos e principais códigos que marcaram a moda de Elsa Schiaparelli — fundadora da maison — são explorados nesta coleção de forma menos literal. O surrealismo e os bordados em formatos anatômicos continuam presentes nas peças, porém em escalas menores, fazendo com que o espectador precise se aproximar para perceber os detalhes que se escondem em uma cartela de cores neutras, com apenas três looks em vermelho como ponto de cor no desfile.

A arte também foi um tema explorado pelo designer, que resgata as colaborações de Schiaparelli com o artista plástico Salvador Dalí, trazendo, por exemplo, um colar em formato de coração que parecia “respirar”. Além disso, elementos esculturais e arquitetônicos ganham destaque nas modelagens: se antes eram moldados por espartilhos, agora tomam forma por meio de enchimentos nas peças, criando um “novo corpo” por cima daquele que as veste.

Daniel Roseberry homenageia uma das grandes personalidades da moda com um olhar inovador, que explora o passado sem romantizá-lo, mas de uma forma que cria raízes firmes para o futuro criativo da maison — sem cópias ou reciclagens, mas carregado de respeito e paixão por uma moda que vai muito além de peças extravagantes e opulentas. Uma verdadeira declaração de amor à moda e, principalmente, a tudo aquilo que pode ser construído no presente!

Beijos, Lalá.