O VERÃO DE JACQUEMUS- LEVEZA, CORES E NATUREZA NA COLEÇÃO 26/27

Na segunda-feira, dia 29, a Jacquemus apresentou, um dia após a semana de moda masculina, sua coleção de verão, explorando as cores, as modelagens leves e uma estética mediterrânea. Inspirado em suas próprias memórias, Simon Porte Jacquemus escolheu o “Phare de la Pietra”, um farol situado em uma ilha na Córsega, como cenário da coleção, que continua trazendo seus signos mais conhecidos e homenageia as memórias de sua mãe à beira-mar.

A coleção, intitulada “Le Bonheur”, parece lapidar e explorar um novo olhar sobre as ideias que já apareciam anteriormente nas passarelas, que se tornaram verdadeiros espetáculos ao longo do tempo. Transparências, recortes e volumes fazem parte do universo proposto por Simon Porte, e a sensualidade se esconde de forma delicada por meio das cores e das modelagens, que equilibram esse apelo mais sexy com a estética mediterrânea refinada.

Na coleção feminina, destacam-se os micro tops, os drapeados que adornam calças e camisetas, biquínis e peças completas com transparência, além de muitas modelagens volumosas, arredondadas e cheias de recortes, tanto laterais quanto posicionados em outras partes do corpo. E as escolhas de tecidos não são aleatórias: algodão, popeline e organza adentram a coleção com o intuito de contribuir com estrutura e delicadeza, criando o equilíbrio entre peças que ganham um pouco mais de rigidez, em contraponto com a leveza dos tecidos.

A Jacquemus é uma marca que não sai dos holofotes desde 2010, lançando grandes momentos na moda e objetos que se transformaram em verdadeiros hits de consumo. Essa coleção retoma todos os códigos já conhecidos, mas com um toque mais maduro e com um apego maior aos acabamentos e ao refinamento das peças. Eu amei. E vocês?

Beijos,
Lalá.

A EXCENTRICIDADE POUSA EM SHANGHAI- CONHEÇA A NOVA COLEÇÃO DA MAISON MARGIELA!

Tudo que gira em torno do nome Margiela parece um pouco místico e provocador. Se a maison se transformou nas mãos de Galliano em seu tempo de direção criativa, agora, com Glenn Martens, essa estética tão única da etiqueta parece evoluir e ganhar, literalmente, novos ares. Sem nunca ter apresentado uma coleção fora de Paris desde que foi criada, em 1988, a Maison Margiela parece quebrar essa tradição e leva seu desfile, que mistura as coleções Artisanal e Prêt-à-Porter, para Xangai.

Em um cenário urbano cheio de contêineres, o desfile faz referência à manualidade tão famosa da marca. Mesmo que a escolha do destino e do cenário mostre o lado mais comercial da moda e das produções em massa, que andam junto ao mercado chinês, o desfile da maison reforça o valor da tradição artesanal, do processo criativo e da estética da imperfeição no vestuário, trabalhando com roupas amassadas e corroídas.

Inspirada no conceito de mercado de pulgas, a coleção busca explorar a ideia de reaproveitamento e ressignificação de objetos, conceito que já era tradicionalmente explorado pela maison, mas que, nesta coleção, aparece principalmente nas modelagens e nas técnicas de criação de superfícies têxteis. Mangas bufantes, vestidos de renda e golas altas remontam às peças do século XIX; alfaiatarias ganham novas camadas, e peças são criadas com materialidades não usuais, como porcelana e aço, além de um vestido produzido com uma mistura de folhas de ouro e antiguidades garimpadas, que foram misturadas com látex e borracha, transformando peças vintage em roupas.

A nova coleção da Margiela reflete o desejo atual dos consumidores de se aproximar do humano, principalmente em tempos tão marcados pelo uso da tecnologia e da inteligência artificial. O conceito não deixa o olhar comercial de lado, mas aproxima a marca do mercado, principalmente por meio das várias ativações que acontecem ao longo do mês, trazendo exposições que contam a trajetória da marca e suas criações mais icônicas em diversas cidades do país.

Beijos, Lalá.

A SOFISTICAÇÃO DOS ANOS 90- AS INFLUÊNCIAS DO MINIMALISMO NA COLEÇÃO DE INVERNO DA THE ROW

Depois de tendências que retomam o estilo dos anos 90 e do boom que aconteceu nas últimas semanas com o Carolyn effect, não existem mais dúvidas de que o estilo minimalista que marcou esse período já está ganhando força e tornando-se protagonista na moda atual. E, depois do desfile da The Row, que teve suas fotos reveladas nesta semana, a marca das gêmeas Olsen reforça que a estética do luxo silencioso toma cada vez mais forma.

Desde o princípio, já na estreia da The Row, a marca se destacou pela quebra da ideia de consumismo e da rapidez que caminhava ao lado da tecnologia e, por isso, em todas as suas novas coleções fica claro o desencorajamento do uso do celular durante os desfiles da marca, algo que se tornou um símbolo registrado da etiqueta. É dessa mesma forma que estética e comportamento parecem andar juntos quando pensamos nas coleções, principalmente nesta última, que trouxe os símbolos do minimalismo, as cores neutras e modelagens clássicas, como um símbolo da atemporalidade.

Apesar da paleta de cores sóbrias, desta vez observamos alguns looks pontualmente ganhando novas tonalidades, principalmente em vermelho e azul. As peças continuam com seu apelo clássico, mas o styling parece ser uma boa forma de tirar os looks do lugar-comum, trazendo camadas com diferentes tipos de tecidos, propondo combinações de camisas de algodão com tule por cima e novas formas de proporção, como na união dos casacos com as saias retas. As texturas também se destacam, seja nos detalhes de cada peça ou como parte integrante da construção, como vemos também nas saias e nos casacos.

Marcas como a The Row reescrevem os códigos da elegância de uma forma atualizada, o que justifica a obsessão generalizada pela estética compartilhada pelas fundadoras, que também enxergam a moda feminina a partir de um olhar atual que traz poder, feminilidade e liberdade para as mulheres. Eu amei essa coleção, e vocês?

Beijos, Lalá.

PARIS FASHION WEEK- A BUSCA POR LIBERDADE FEMININA NA COLEÇÃO DE INVERNO DA CHANEL 

Apresentada ontem, dia 9 de março, a coleção de inverno da Chanel, assinada por Matthieu Blazy, emociona e encanta nessa que é ainda a sua quarta apresentação na maison. Com um cenário marcado pelo uso de guindastes erguidos dentro do Grand Palais, Blazy se destaca na capital francesa ao incorporar silhuetas da década de 20 para a sua visão atualizada e apresentar uma coleção que constrói estilo, relevância e identidade.

Conforme os desfiles e novas apresentações acontecem, a visão criativa de Matthieu vai ficando mais clara para o público, e percebemos que o seu objetivo, por mais que ousado, também busca trazer novos ares para a Chanel: polir a alta-costura e trazer para o prêt-à-porter uma imagem ousada e excêntrica. Isso explica o motivo para as vendas da Chanel passarem a crescer cada vez mais após a sua estreia na maison, já que agora os signos tradicionais da casa parecem se misturar com a universalidade de outros estilos, ganhando a atenção do público.

No desfile de inverno, Matthieu não se prende a apenas um tipo de mulher e muito menos ao estilo tradicional da mulher Chanel. Inspirado pela liberdade que Gabrielle Chanel integrou à vida das mulheres, Blazy retoma esse discurso através da ousadia entre os blocos da coleção. O que se destaca são as produções que trazem estampas em animal print, os vestidos longos gráficos e as texturas, que são o ponto-chave da coleção e se misturam com uma cartela de cores que foge do básico.

Matthieu transforma uma visão de marca em um novo significado, recitando uma frase que a própria fundadora da maison disse uma vez em uma entrevista: “A moda é, ao mesmo tempo, lagarta e borboleta. Seja uma lagarta de dia e uma borboleta à noite. Não há nada mais confortável que uma lagarta e nada mais feito para o amor do que uma borboleta.” É assim que o designer enxerga a moda: de forma autêntica e multifacetada. Ele entende que mulheres podem ser uma e muitas outras coisas, e é por isso que seu desfile permanece emocionando e alcançando lugares que talvez a tradição não conseguiria alcançar: a autenticidade.

Eu sou apaixonada pela Chanel e consigo ver, na direção criativa de Blazy, que ele não é o designer que vai estar interessado apenas em vender, mas sim em entender o seu público, principalmente as mulheres, e dar voz e liberdade para que elas possam ser o que quiserem. É isso que torna tudo ainda mais apaixonante.

Beijos, Lalá.

MILAN FASHION WEEK- OS CÓDIGOS DE MARIA GRAZIA CHIURI NA ESTREIA DA FENDI

A semana de moda de Milão começou oficialmente na terça-feira, dia 24 de fevereiro, e já chega trazendo diversas novidades. Se, na última temporada internacional de moda, Paris tinha se tornado o centro das atenções pelas suas novas oportunidades, desta vez a capital italiana ocupa esse lugar com as estreias de Maria Grazia Chiuri na Fendi e de Demna Gvasalia, que apresenta sua nova proposta na Gucci nesta sexta-feira. E falando na designer, ex-Dior, Maria Grazia fez sua estreia ontem e, em meio a elogios e críticas, mostrou mais uma vez o seu olhar em paralelo com os signos mais conhecidos da casa italiana.

Em meio a uma coleção quase monocromática na passarela, com looks principalmente em preto e branco, Maria Grazia Chiuri remonta à elegância e à sofisticação italiana em propostas mais comerciais do que criativas, mas que chamam a atenção pela técnica, pela escolha de tecidos e, principalmente, pelos recursos de styling que sempre estiveram presentes na sua linguagem de moda desde a sua época como diretora criativa na Dior.

O jeans, os pelos, a renda e os cetins bordados se fazem presentes ao longo de toda a coleção, tanto no feminino quanto no masculino. Ao que tudo indica, a Fendi de Maria Grazia Chiuri constrói a imagem de uma mulher moderna e contemporânea, que transita entre a feminilidade e a formalidade social, trazendo para o guarda-roupa feminino alfaiataria, bermudas e trench coats, ao mesmo tempo em que explora vestidos esvoaçantes, em tecidos acetinados e com a transparência das rendas. É uma coleção que parece homenagear as multifacetas femininas, do trabalho aos momentos de descontração.

Maria Grazia já havia feito parte da Fendi em 1997, ao lado de Pierpaolo Piccioli, quando criou uma das maiores it-bags da história da moda: a bolsa Baguette. E, aqui, ela volta como o principal acessório da passarela, em diferentes cores, texturas e estampas, ocupando um dos grandes destaques quando olhamos para esses modelos reimaginados.

Milão é sempre um dos destinos mais aguardados quando falamos em semana de moda internacional, e é por isso que é sempre importante ficarmos de olho nas tendências e novidades que cada uma das marcas apresenta nesse período, já que elas vão ditar muitos outros aspectos da moda que iremos acompanhar durante os próximos meses! Eu amei a estreia da Maria Grazia na Fendi, e vocês?

Beijos, Lalá.