CLOSER- A DUALIDADE ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO DA PRADA

A temporada de moda masculina começou em Milão no dia 14 de junho, somando mais de 50 desfiles para essa temporada. A abertura das apresentações ficou nas mãos da Moschino na sexta-feira, com o encerramento marcado para hoje, dia 18, com a coleção da Louis Vuitton, a caminho do próximo destino dessa temporada: Paris! Com tantos desfiles, escolhi um dos que mais gostei para trazer para vocês hoje: a coleção masculina da Prada, pelas mãos talentosas de Miuccia e Raf Simons.

Com uma paixão única pela brincadeira entre o que é real e o imaginário, a dupla de estilistas traz esse conceito para a coleção. Nomeada de Closer, o desfile gira em torno da ideia do olhar atento, da proximidade e de desafiar as percepções. Com um conceito de ilusão de ótica regendo a base do desfile, cada look nos convida a olhar duas vezes para ele e analisar o que de fato é cada uma das peças.

Com uma silhueta dos anos 90 desconstruída, a primeira coisa que chama a atenção na coleção são as peças encurtadas, com um caimento que beira o estranho, mas que ainda carrega um ar sofisticado — códigos que também já fazem parte do universo Prada, quase como uma auto-referência a outros looks icônicos da grife. As inovações também adentram o desfile através da experimentação com franzidos, mangas curtas, silhuetas que alongam e achatam o corpo, e as ilusões de ótica provocadas por bordados que parecem cintos, golas pintadas no próprio tecido que contrastam com o tronco, sobreposições que, na verdade, são apenas uma peça, e padronagens que, na verdade, são feitas com estampas. Toda a coleção possui um tom vintage e contemporâneo ao mesmo tempo.

Inspirados pela beleza jovem, Miuccia e Raf focaram seus esforços em uma coleção que utiliza códigos estéticos infanto-juvenis com elementos mais sociais, como as alfaiatarias, trazendo um conceito dual e muito interessante para o verão de 2025. Eu adoro a Prada e amei como eles também ousaram na coleção masculina. Já estou ansiosa para ver os próximos desfiles e vocês?

Beijos, Lalá.

ATEMPORAL E CLÁSSICO – O XADREZ É A TENDÊNCIA DO INVERNO

Com a chegada do inverno, a volta do xadrez já era esperada. Entretanto, dessa vez podemos esquecer apenas os casacos de lã e as padronagens neutras; agora ele volta com muitas variedades de cores e em diversos padrões diferentes. Atemporal e estiloso, ele é uma aposta forte para o nosso inverno e também para o verão do hemisfério norte.

A padronagem, sempre associada ao movimento punk nos anos 70 e ao grunge dos anos 90, surgiu mesmo na antiguidade com os celtas, que usavam as lãs para tecer formas geométricas, chegando alguns anos depois até os escoceses no século 16, onde ganhou popularidade com os famosos “kilts”, saias construídas para se proteger do frio e criadas com a padronagem mais clássica do xadrez, o Tartan, que aparecia sempre em vermelho e preto. Com o passar do tempo, a padronagem foi sofrendo adaptações e passando a ser usada por diversos outros grupos, tornando-se super versátil, atemporal e passeando por vários estilos.

Já agora, no streetwear, as produções variam entre muitos estilos diferentes. Combinações com inspiração no grunge, preppy e até mesmo looks com uma pegada mais geek chic carimbam as ruas. As padronagens do xadrez também variam entre o tartan, o romântico vichy e o argyle, com losangos e sobreposições de linhas diagonais. Porém, todas com uma estética mais maximalista, misturando tecidos, sobreposições de peças e cores diferentes. O xadrez é super atemporal e estiloso e, como uma terceira peça e com acessórios diferentes, ele pode dar aquele toque fashion em qualquer look, agregando ainda mais informação de moda.

Não tem como negar que o xadrez é muito democrático! Dos looks casuais aos mais sociais com alfaiataria, ele cumpre qualquer função, seja para esquentar o corpo ou dar um toque a mais no visual. Tudo indica que as peças nessa padronagem serão a “It Piece” do momento. Eu amo! Ainda mais por trazer a possibilidade de criarmos produções elegantes, únicas e super descoladas com elas. E vocês? O que acham?

Beijos, Lalá.

DISCRETAMENTE OUSADO- OS DECOTES NAS COSTAS SÃO A APOSTA DA VEZ

Do streetwear ao desfile de 15 anos da Jacquemus, os decotes nas costas estão aparecendo cada vez mais! Em vestidos e camisas, o detalhe já é clássico do guarda-roupa feminino e, agora, com o clima mais quente se aproximando na Europa, esse recorte vai carimbar o estilo das it girls e trazer ainda mais conforto nos dias de altas temperaturas.

O decote nas costas não é uma ousadia atual, já que o detalhamento foi uma febre nos anos 30, deixando essa parte do corpo em evidência, redesenhando a silhueta das mulheres e trazendo novamente a feminilidade que tinha sido deixada de lado pela androgenia dos anos 20. Os decotes profundos da época marcaram os vestidos para a noite e também para o dia, em conjunto com saias bem ajustadas ao quadril, criando uma silhueta que equilibra a sofisticação e a sensualidade. 

Já nos dias de hoje, podemos observar esse decote de diversas formas, desde seu formato clássico nos vestidos, como também nos tops em linho, regatinhas e camisas mais estruturadas. O detalhe também marcou o desfile da coleção “La casa” da grife francesa Jacquemus, com aberturas bem alongadas nas costas, dando a impressão de que as modelos eram ainda mais altas. O decote ajuda a adicionar um toque a mais nos looks, sem perder toda a elegância e sofisticação que já fazem parte do DNA da marca, e dá um tom um pouco mais ousado à produção.

Os decotes elevam o look, seja em eventos de gala ou em passeios no dia a dia. Eles são muito estilosos e perfeitos para dar um toque de ousadia no visual. Balanceando bem as peças, você com certeza irá garantir uma produção moderna e super sofisticada. Eu amo demais e acho que valorizam muito. E vocês?

Beijos, Lalá.

A APOSTA DE 3 DÉCADAS DA CHANEL SE ENCERRA- VIRGINIE VIARD SE DESPEDE DA MAISON

Ontem, 5 de junho, a Chanel anunciou a saída de Virginie Viard, depois de 5 anos no cargo de diretora criativa na maison, sem contar as outras décadas que passou na marca ajudando Karl Lagerfeld. Mesmo com seu trabalho dividindo muitas opiniões entre aqueles que amam o mundo fashion, o anúncio do término da sua colaboração com a Chanel foi um choque para todos. Então, que tal relembrarmos um pouco da sua trajetória por uma das maiores grifes francesas?

Virginie possui toda a essência do estilo francês. Nascida em Lyon, a estilista se formou em moda e estreou na grife primeiramente como uma estagiária na área dos bordados da Chanel, tornando-se coordenadora da alta-costura e, alguns anos depois, a diretora criativa logo após a morte de Lagerfeld, sendo a aposta perfeita para levar a essência de Coco Chanel e seus elementos estéticos para um futuro crescente da marca.

Entre seus trabalhos mais icônicos durante seus anos na Chanel, alguns desfiles marcaram a indústria da moda, principalmente suas coleções Cruise. Em 2020, com o look que fazia referência ao traje icônico de Karl Lagerfeld; em 2022, relembrando o passado de Chanel e a abertura de uma de suas primeiras lojas ; e a coleção de alta-costura em 2023, com um cenário inesperado para quem já conhece as locações urbanas gigantescas que fazem parte da trajetória da marca, dessa vez apostando em esculturas de papelão e madeira para decorar o desfile

Cheia de coleções lindas e desfiles únicos, Virginie trouxe para a Chanel o equilíbrio entre a essência clássica e delicada da grife, com um toque de ousadia contemporânea, dando um novo olhar para a marca. Não sabemos ainda quem será seu sucessor, mas já existem algumas apostas por aí! Quem vocês acham que seria a melhor opção para assumir a maison agora? Me contem!

Beijos, Lalá.

A REALEZA CONTEMPORÂNEA NO DESFILE CRUISE DA DIOR

Ontem, dia 03 de junho, Maria Grazia Chiuri apresentou a nova coleção Cruise da Dior. A apresentação chamou atenção pelo seu tom outonal em pleno verão e também pelo cenário escolhido: os jardins do castelo de Drummond, na Escócia, país que serviu também de inspiração para as roupas, junto com a estética despreocupada do punk e das referências ao grunge característico dos anos 90.

A escolha de locação, apesar de parecer um pouco inesperada, se relaciona diretamente com a história da Maison, já que anos atrás Christian Dior também apresentou uma coleção de verão em um hotel na mesma cidade. Maria Grazia costuma trazer essas referências do DNA Dior para as coleções e, dessa vez, não seria diferente, literalmente estampando e bordando esse momento marcante na jornada da Maison nas novas peças apresentadas. Além dessa, a estilista também faz referência ao famoso New Look, repaginado e com uma cara bem mais atual.

Misturada a um tom quase fantasioso, a coleção traz referências à realeza escocesa, mais especificamente à rainha Maria Stuart. Por isso, o desfile é marcado pelos penteados divididos ao meio com tranças laterais, babados nas golas que remetem aos rufos do século 16 e pelas roupas com telas em prata que lembram armaduras, assim como outros elementos tradicionais da época, como as mangas bufantes, os corsets e as saias volumosas com balonê (a maior tendência do momento). Já a estética punk adentra a coleção através do xadrez Tartan e nos acessórios, como as gargantilhas de couro com aplicação de pérolas e nas botas Bikers, que agregam um tom mais contemporâneo em contrapartida ao drama carregado pelo estilo medieval da apresentação.

Maria Grazia propõe uma viagem no tempo fashion, trazendo referências de poder feminino com um mix de conto de fadas e um toque de rebeldia e ousadia, mas com reinterpretações do nosso estilo urbano atual. Além disso, homenageia também os produtores e artistas locais que colaboraram com a nova coleção da grife. Será que um verão com peças mais sóbrias pode virar uma tendência após essa coleção? O que vocês acham? De qualquer forma, confesso que amei essa silhueta romântica, rebelde e ainda assim com um tom sonhador da Dior. Muito lindinho!

Beijos, Lalá.