A ALTA-COSTURA E O STREET STYLE CAMINHAM JUNTOS NA NOVA COLEÇÃO DA BALENCIAGA

A semana de alta-costura começou na segunda-feira, 24 de junho, em Paris. Com o início marcado pela nova coleção da Schiaparelli, esses dois dias de eventos já foram marcados por desfiles incríveis das nossas maisons preferidas, como Dior, Chanel, Iris Van Herpen e Giambattista Valli. Entretanto, no post de hoje, vamos conferir um pouco de como foi o desfile da Balenciaga, que aconteceu nesta manhã e já conta com muitos comentários na internet!

Como sempre, o trabalho de Demna Gvasalia gera muitas opiniões, e dessa vez não poderia ser diferente! Ao som de uma trilha sonora de meditação guiada, Demna apresenta uma alta-costura subversiva, rejeitando a formalidade que sempre foi exigida e, dessa forma, misturando os códigos mais conhecidos da maison com sua estética pessoal. Enxergando a exclusividade que a alta-costura tanto pede dentro da ideia da imprevisibilidade, ele apresenta uma dualidade entre os vestidos que parecem ter sido tirados diretamente de uma festa de gala e looks que olham 100% para o streetwear, apropriando-se dos jeans, jaquetas e camisetas.

O desfile ficou marcado pelo detalhamento, como as ombreiras que criavam um caimento diferente nas peças, as camisetas que foram usadas em cima dos chapéus, e os patchworks que juntavam cintos, camisetas de time, jeans e casacos. Os vestidos também chamam muita atenção, com tecidos de couro, metalizados e texturizados. Porém, o último look, feito de tule, marca o desfile justamente por ter sido criado na hora do evento, apenas enrolando o tecido diretamente no corpo da modelo. No final, tudo o que entendemos como casual e alta-costura passa a ser reinterpretado através de um olhar novo e contemporâneo, trazendo a reflexão sobre o que caracteriza o luxo.

A Balenciaga sempre gera muitas discussões em suas apresentações, sendo uma marca que as pessoas ou amam ou odeiam. Ainda assim, é interessante perceber algumas mensagens e códigos que trazem um toque inovador à forma como entendemos moda atualmente. O que vocês acham? Ainda haverá mais desfiles ao longo desses dias e estarei ansiosa para vir compartilhar com vocês!

Beijos, Lalá.

O IMPÉRIO CONTEMPORÂNEO DE RICK OWENS

Hoje, dia 20 de junho, a semana de moda masculina foi tomada pela apresentação majestosa do fascinante estilista Rick Owens. No Palais de Tokyo, o designer revive o Império Romano e outros contextos icônicos da antiguidade para um desfile cinematográfico de verão 2025. Vamos conferir?

Com a coleção intitulada “Hollywood”, o estilista, que é tão fascinante e incompreendido ao mesmo tempo, sempre foi mestre em chamar a atenção e apresentar verdadeiros espetáculos, e desta vez não foi diferente. Com uma cartela de cores tomada por tons de branco e roupas super experimentais, Rick Owens homenageia as artes através das suas roupas, que remetem às esculturas de mármore, brincando com silhuetas humanas e mitológicas.

De tom romântico e subversivo, as silhuetas da coleção passeiam entre os plissados, vestidos esvoaçantes, peças com um tom de apocalipse cinematográfico com uma cara de ficção científica, e tecidos acetinados que lembram metal derretido, criando uma imersão ainda mais densa no universo pensado pelo estilista. A beleza e o styling do desfile também agrega uma imagem de moda ainda mais forte, marcada por capuzes, balaclavas e maquiagens extravagantes e subversivas. Tudo com um ar ritualístico e escultural, misturado com muito drama e teatralidade.

Propondo uma nova estética e um universo com códigos próprios, não é a toa que Rick Owens continua como um dos designers mais icônicos da contemporaneidade e segue juntando diversos seguidores e apaixonados pelo seu trabalho. O que vocês acham? Gostam dessa estranheza chique que o designer propôs? Me contem!

Beijos, Lalá.

CLOSER- A DUALIDADE ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO DA PRADA

A temporada de moda masculina começou em Milão no dia 14 de junho, somando mais de 50 desfiles para essa temporada. A abertura das apresentações ficou nas mãos da Moschino na sexta-feira, com o encerramento marcado para hoje, dia 18, com a coleção da Louis Vuitton, a caminho do próximo destino dessa temporada: Paris! Com tantos desfiles, escolhi um dos que mais gostei para trazer para vocês hoje: a coleção masculina da Prada, pelas mãos talentosas de Miuccia e Raf Simons.

Com uma paixão única pela brincadeira entre o que é real e o imaginário, a dupla de estilistas traz esse conceito para a coleção. Nomeada de Closer, o desfile gira em torno da ideia do olhar atento, da proximidade e de desafiar as percepções. Com um conceito de ilusão de ótica regendo a base do desfile, cada look nos convida a olhar duas vezes para ele e analisar o que de fato é cada uma das peças.

Com uma silhueta dos anos 90 desconstruída, a primeira coisa que chama a atenção na coleção são as peças encurtadas, com um caimento que beira o estranho, mas que ainda carrega um ar sofisticado — códigos que também já fazem parte do universo Prada, quase como uma auto-referência a outros looks icônicos da grife. As inovações também adentram o desfile através da experimentação com franzidos, mangas curtas, silhuetas que alongam e achatam o corpo, e as ilusões de ótica provocadas por bordados que parecem cintos, golas pintadas no próprio tecido que contrastam com o tronco, sobreposições que, na verdade, são apenas uma peça, e padronagens que, na verdade, são feitas com estampas. Toda a coleção possui um tom vintage e contemporâneo ao mesmo tempo.

Inspirados pela beleza jovem, Miuccia e Raf focaram seus esforços em uma coleção que utiliza códigos estéticos infanto-juvenis com elementos mais sociais, como as alfaiatarias, trazendo um conceito dual e muito interessante para o verão de 2025. Eu adoro a Prada e amei como eles também ousaram na coleção masculina. Já estou ansiosa para ver os próximos desfiles e vocês?

Beijos, Lalá.

ATEMPORAL E CLÁSSICO – O XADREZ É A TENDÊNCIA DO INVERNO

Com a chegada do inverno, a volta do xadrez já era esperada. Entretanto, dessa vez podemos esquecer apenas os casacos de lã e as padronagens neutras; agora ele volta com muitas variedades de cores e em diversos padrões diferentes. Atemporal e estiloso, ele é uma aposta forte para o nosso inverno e também para o verão do hemisfério norte.

A padronagem, sempre associada ao movimento punk nos anos 70 e ao grunge dos anos 90, surgiu mesmo na antiguidade com os celtas, que usavam as lãs para tecer formas geométricas, chegando alguns anos depois até os escoceses no século 16, onde ganhou popularidade com os famosos “kilts”, saias construídas para se proteger do frio e criadas com a padronagem mais clássica do xadrez, o Tartan, que aparecia sempre em vermelho e preto. Com o passar do tempo, a padronagem foi sofrendo adaptações e passando a ser usada por diversos outros grupos, tornando-se super versátil, atemporal e passeando por vários estilos.

Já agora, no streetwear, as produções variam entre muitos estilos diferentes. Combinações com inspiração no grunge, preppy e até mesmo looks com uma pegada mais geek chic carimbam as ruas. As padronagens do xadrez também variam entre o tartan, o romântico vichy e o argyle, com losangos e sobreposições de linhas diagonais. Porém, todas com uma estética mais maximalista, misturando tecidos, sobreposições de peças e cores diferentes. O xadrez é super atemporal e estiloso e, como uma terceira peça e com acessórios diferentes, ele pode dar aquele toque fashion em qualquer look, agregando ainda mais informação de moda.

Não tem como negar que o xadrez é muito democrático! Dos looks casuais aos mais sociais com alfaiataria, ele cumpre qualquer função, seja para esquentar o corpo ou dar um toque a mais no visual. Tudo indica que as peças nessa padronagem serão a “It Piece” do momento. Eu amo! Ainda mais por trazer a possibilidade de criarmos produções elegantes, únicas e super descoladas com elas. E vocês? O que acham?

Beijos, Lalá.

A APOSTA DE 3 DÉCADAS DA CHANEL SE ENCERRA- VIRGINIE VIARD SE DESPEDE DA MAISON

Ontem, 5 de junho, a Chanel anunciou a saída de Virginie Viard, depois de 5 anos no cargo de diretora criativa na maison, sem contar as outras décadas que passou na marca ajudando Karl Lagerfeld. Mesmo com seu trabalho dividindo muitas opiniões entre aqueles que amam o mundo fashion, o anúncio do término da sua colaboração com a Chanel foi um choque para todos. Então, que tal relembrarmos um pouco da sua trajetória por uma das maiores grifes francesas?

Virginie possui toda a essência do estilo francês. Nascida em Lyon, a estilista se formou em moda e estreou na grife primeiramente como uma estagiária na área dos bordados da Chanel, tornando-se coordenadora da alta-costura e, alguns anos depois, a diretora criativa logo após a morte de Lagerfeld, sendo a aposta perfeita para levar a essência de Coco Chanel e seus elementos estéticos para um futuro crescente da marca.

Entre seus trabalhos mais icônicos durante seus anos na Chanel, alguns desfiles marcaram a indústria da moda, principalmente suas coleções Cruise. Em 2020, com o look que fazia referência ao traje icônico de Karl Lagerfeld; em 2022, relembrando o passado de Chanel e a abertura de uma de suas primeiras lojas ; e a coleção de alta-costura em 2023, com um cenário inesperado para quem já conhece as locações urbanas gigantescas que fazem parte da trajetória da marca, dessa vez apostando em esculturas de papelão e madeira para decorar o desfile

Cheia de coleções lindas e desfiles únicos, Virginie trouxe para a Chanel o equilíbrio entre a essência clássica e delicada da grife, com um toque de ousadia contemporânea, dando um novo olhar para a marca. Não sabemos ainda quem será seu sucessor, mas já existem algumas apostas por aí! Quem vocês acham que seria a melhor opção para assumir a maison agora? Me contem!

Beijos, Lalá.