
Apresentada ontem, dia 9 de março, a coleção de inverno da Chanel, assinada por Matthieu Blazy, emociona e encanta nessa que é ainda a sua quarta apresentação na maison. Com um cenário marcado pelo uso de guindastes erguidos dentro do Grand Palais, Blazy se destaca na capital francesa ao incorporar silhuetas da década de 20 para a sua visão atualizada e apresentar uma coleção que constrói estilo, relevância e identidade.


Conforme os desfiles e novas apresentações acontecem, a visão criativa de Matthieu vai ficando mais clara para o público, e percebemos que o seu objetivo, por mais que ousado, também busca trazer novos ares para a Chanel: polir a alta-costura e trazer para o prêt-à-porter uma imagem ousada e excêntrica. Isso explica o motivo para as vendas da Chanel passarem a crescer cada vez mais após a sua estreia na maison, já que agora os signos tradicionais da casa parecem se misturar com a universalidade de outros estilos, ganhando a atenção do público.


No desfile de inverno, Matthieu não se prende a apenas um tipo de mulher e muito menos ao estilo tradicional da mulher Chanel. Inspirado pela liberdade que Gabrielle Chanel integrou à vida das mulheres, Blazy retoma esse discurso através da ousadia entre os blocos da coleção. O que se destaca são as produções que trazem estampas em animal print, os vestidos longos gráficos e as texturas, que são o ponto-chave da coleção e se misturam com uma cartela de cores que foge do básico.
Matthieu transforma uma visão de marca em um novo significado, recitando uma frase que a própria fundadora da maison disse uma vez em uma entrevista: “A moda é, ao mesmo tempo, lagarta e borboleta. Seja uma lagarta de dia e uma borboleta à noite. Não há nada mais confortável que uma lagarta e nada mais feito para o amor do que uma borboleta.” É assim que o designer enxerga a moda: de forma autêntica e multifacetada. Ele entende que mulheres podem ser uma e muitas outras coisas, e é por isso que seu desfile permanece emocionando e alcançando lugares que talvez a tradição não conseguiria alcançar: a autenticidade.






Eu sou apaixonada pela Chanel e consigo ver, na direção criativa de Blazy, que ele não é o designer que vai estar interessado apenas em vender, mas sim em entender o seu público, principalmente as mulheres, e dar voz e liberdade para que elas possam ser o que quiserem. É isso que torna tudo ainda mais apaixonante.
Beijos, Lalá.

